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Por que o seu concorrente aparece na frente de você no Google

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Corredores saindo dos blocos de largada numa pista de atletismo, um deles à frente
Foto: zheng liang / Pexels

Todo mundo já fez isso. Você pesquisa o seu próprio serviço na sua cidade, meio de curiosidade, meio de medo, e lá está ele: o concorrente, antes de você.

E aí vem a explicação que a cabeça inventa sozinha. “Ele deve pagar o Google.” “É porque a empresa dele é maior.” “Deve ter alguém de marketing lá dentro.”

Quase sempre está errado. E errar o motivo custa caro, porque você passa meses arrumando a coisa errada.

Vamos por partes, porque a primeira coisa que quase ninguém percebe é que não existe “aparecer no Google”. Existem três lugares diferentes na mesma tela, com três disputas separadas.

Quer saber em qual dos três o seu concorrente está te ganhando? Me manda o seu serviço e a sua cidade no WhatsApp que eu faço a busca e te digo onde está a diferença.

Os três lugares

Pesquise agora “seu serviço + sua cidade” no celular e desça devagar. Você vai ver, nessa ordem:

1. Os primeiros resultados, com a palavra “Patrocinado” do lado. Isso é anúncio. Quem está ali está pagando por clique.

2. O quadradinho com as empresas da região, com mapa, nota e botão de rota. Esse é o resultado local, alimentado pelas fichas do Google Meu Negócio. É de graça.

3. A lista de links azuis embaixo. Esse é o resultado natural, o orgânico. Também de graça, e é onde entram os sites.

Cada um tem uma regra própria. Seu concorrente pode estar te ganhando em um e perdendo nos outros dois. Antes de fazer qualquer coisa, você precisa saber em qual.

Se ele está no primeiro lugar (com “Patrocinado”)

Aí é simples e não tem mistério: ele anuncia e você não.

Isso não significa que ele seja melhor, nem que esteja ganhando dinheiro com isso. Significa que ele decidiu comprar aquele espaço. Metade das empresas que anunciam gasta mal, então não conclua nada além do fato.

“Então se eu anunciar eu subo no resto também?” Não. E essa é uma confusão que dá muito prejuízo. Anúncio e orgânico são independentes. Investir no Google Ads não melhora nem piora a sua posição na lista natural. Quem te disser o contrário está vendendo o que não existe.

O que anúncio faz é comprar tempo. Ele coloca você no topo hoje enquanto o trabalho de orgânico e de ficha amadurece, que é coisa de meses. É ferramenta de presença imediata, não de posicionamento.

Se ele está no quadro das empresas da região

Aqui é onde a maioria dos negócios locais ganha ou perde, e onde dá pra virar o jogo mais rápido.

O Google decide esse quadro basicamente por três coisas:

Proximidade. A distância entre quem pesquisou e o seu endereço. É o fator mais forte, e é o que você menos controla. Por isso os resultados mudam de bairro pra bairro.

Relevância. O quanto a sua ficha diz claramente que você faz aquilo. É aqui que mora a categoria principal, que sozinha decide muita coisa. Ficha vaga não entra em busca específica.

Reputação. Quantidade e qualidade de avaliação, se você responde, se tem foto recente, se as informações estão completas e batendo com o site.

E agora a boa notícia, que é o ponto do post: duas dessas três você controla inteiramente, de graça, e nenhuma delas depende do tamanho da sua empresa.

Foi isso que fez a pergunta seguinte ficar tão comum.

“Mas a empresa dele é maior que a minha, não tem jeito”

Tem jeito, e no resultado local você compete de igual pra igual com frequência.

Porque proximidade não liga pro tamanho. Ficha bem preenchida não liga pro tamanho. Avaliação respondida não liga pro tamanho. Empresa grande costuma ter ficha ruim justamente porque ninguém lá dentro é dono daquilo.

Onde o tamanho pesa de verdade é na lista de links, que é a terceira disputa. Ali entra conteúdo acumulado e autoridade construída em anos. Essa briga é mais lenta e mais difícil.

Então a estratégia certa pra empresa pequena é óbvia e quase ninguém segue: brigue com força onde o tamanho não conta, e vá construindo devagar onde ele conta. Ficha primeiro, conteúdo depois.

Se o site dele aparece e o seu não, geralmente é uma destas três, na ordem de frequência:

1. Ele tem uma página falando exatamente daquilo, e você não. Esse é o motivo mais comum e o mais bobo. Se você faz seis serviços e tem uma única página dizendo “nossos serviços”, o Google não tem o que mostrar pra cada busca. Uma busca, uma página. Foi por isso que a gente estruturou as nossas assim.

2. A página dele responde a pergunta e a sua só se apresenta. Página que diz “somos uma empresa comprometida com a excelência” não responde nada. Página que diz quanto custa, quanto demora, o que está incluso e onde atende, responde.

3. O site dele existe há mais tempo e tem mais gente falando dele. Essa parte é real e é a que leva tempo. Não tem atalho honesto.

Se o seu site é novo ou pequeno, o que dá pra fazer sozinho no orgânico está detalhado aqui.

O diagnóstico em dez minutos

Faça agora, e anote. Sem anotar, não serve.

1. Escolha três buscas reais. As que os seus clientes usam, com a cidade. Não a que você gostaria que usassem.

2. Pesquise no celular, numa aba anônima. Anônima importa: logado, o Google mistura o seu histórico e te mostra um resultado que só você vê.

3. Para cada busca, anote três coisas: quem está no anúncio, quem está nas três primeiras posições do quadro das empresas, e quem está nos três primeiros links.

4. Marque onde você aparece e onde não aparece.

Ao final você vai ter um quadro pequeno e muito claro. E ele quase sempre mostra a mesma coisa: você não está perdendo nas três. Está perdendo em uma, e não sabia qual.

O que o quadro costuma revelar

Três padrões que se repetem:

Aparece no orgânico mas não no mapa. Você tem site decente e ficha abandonada. É o caso mais comum e o de correção mais rápida, porque a ficha é de graça e responde em semanas.

Aparece no mapa mas não no orgânico. Você cuida da ficha e o site não tem páginas por serviço. Trabalho mais lento, mas com resultado que não some.

Não aparece em nenhum e o concorrente está nos três. Aqui não adianta escolher uma frente só. É o cenário que a gente descreve quando fala que site, ficha e anúncio são uma peça só: mexer em um e deixar os outros parados não muda o telefone.

Uma coisa que não é sobre o Google

Vale dizer, porque é a parte que o pessoal de marketing costuma esconder.

Às vezes o seu concorrente aparece na frente porque as pessoas procuram por ele pelo nome. Quando muita gente digita o nome de uma empresa, o Google entende que aquilo é uma marca conhecida na região e passa a mostrar ela com mais confiança também nas buscas genéricas.

Isso não se resolve com ajuste técnico. Se resolve sendo lembrado, e isso é outro trabalho, que a gente detalhou aqui.

Conferir é rápido, virar o jogo é outra conversa

O diagnóstico acima é seu. Dez minutos, aba anônima, três buscas, anotar. Faça antes de falar com qualquer um, inclusive comigo. Você vai chegar em qualquer conversa sabendo do que está falando, e isso já te protege de proposta ruim.

Virar o jogo normalmente não é um ajuste. É definir as buscas que valem a pena de verdade, arrumar a ficha inteira (categoria, serviços, área de atuação, fotos e histórico de avaliações), criar as páginas que faltam para cada serviço que você vende e, quando fizer sentido, comprar o topo com anúncio enquanto o resto amadurece. É esse conjunto que muda a ordem na tela, e é ele que a gente reestrutura.

Me manda o seu serviço e a sua cidade no WhatsApp. Eu faço as três buscas, comparo com quem está na sua frente e te mostro em qual dos três lugares está a diferença. Sem proposta antes disso.

Cada dia que passa é mais um cliente que te procurou e não te achou.

Isso para no dia que você decidir resolver. Pode ser hoje.

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