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Como aparecer no Google sem pagar anúncio

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Tela de computador com a página de busca do Google aberta
Foto: Nathana Rebouças / Pexels

Anúncio funciona: você paga, aparece hoje, para de pagar e some. Orgânico é o contrário: demora, dá trabalho e continua rendendo depois. O ideal é ter os dois. Mas se hoje só dá pra fazer um, e o que sobra é seu tempo e não seu dinheiro, dá pra avançar bastante sozinho.

Esse texto é o que eu faria se fosse mexer no seu site sem cobrar nada, na ordem em que eu faria.

Comece pela ficha, não pelo site

Se seu negócio atende gente de uma cidade ou região, o Google Meu Negócio é o item de maior retorno pelo menor esforço que existe. É de graça, leva uma tarde pra configurar direito e é o que aparece primeiro em busca com intenção local, naquele bloco com três fichas e o mapa que fica acima de todos os links.

Escrevi um passo a passo separado sobre isso, aqui. Se você ainda não fez, faça isso antes de qualquer coisa neste texto.

Descubra o que as pessoas realmente digitam

O erro mais comum de quem escreve o próprio site é usar a palavra que a empresa usa internamente, não a que o cliente digita.

Um exemplo que eu vivi aqui: eu media “marketing para nutricionista” e via um volume ridículo. Só que “marketing para X” é como agência fala. O dono do negócio digita outra coisa: ele digita o problema dele. Trocando a forma da palavra, o mesmo mercado aparecia com volume de verdade.

Como descobrir sem ferramenta paga:

  • O autocompletar do Google. Digite o começo do serviço e veja o que ele sugere. Aquilo é busca real, ordenada por frequência.
  • “As pessoas também perguntam”. No meio da página de resultado. Cada pergunta ali é uma seção de página esperando pra ser escrita.
  • As buscas relacionadas no rodapé do resultado.
  • O que seu cliente escreve no WhatsApp. Sério, essa é a melhor fonte que existe e você já tem. Abra as últimas vinte conversas de primeiro contato e veja com que palavras a pessoa descreve o que precisa. É assim que ela digita no Google.
  • O Planejador de Palavras-Chave do Google Ads. É gratuito, você só precisa de uma conta. Dá faixa de volume e tendência.

Anote de dez a vinte termos. Separe entre quem está pesquisando pra aprender (“o que é X”) e quem está pesquisando pra contratar (“X preço”, “X perto de mim”, “melhor X”). Os de contratar são os que trazem dinheiro. Comece por eles.

Uma página por assunto, não uma página com tudo

Essa é a mudança estrutural que mais rende e a que quase ninguém faz.

A maioria dos sites pequenos tem uma página “Serviços” que lista sete coisas em dois parágrafos cada. Essa página não ranqueia pra nenhuma das sete, porque ela não é sobre nenhuma delas em particular.

Quebre. Uma página por serviço, cada uma respondendo a busca correspondente do começo ao fim: o que é, pra quem serve, como funciona, quanto custa ou o que faz variar, quanto tempo leva, e as dúvidas frequentes. É basicamente o que eu fiz no meu próprio site, e é por isso que existem páginas separadas de SEO, Google Ads e criação de sites em vez de uma “serviços”.

Se você atende várias cidades, o mesmo raciocínio vale, mas só crie página de cidade onde você realmente atende e com conteúdo diferente em cada uma. Vinte páginas iguais trocando o nome da cidade o Google identifica e ignora.

O básico técnico que dá pra resolver sem programador

Não precisa virar especialista. Precisa não deixar buraco:

  • Título de cada página (o que aparece na aba do navegador e como link azul no resultado): até uns 60 caracteres, com o termo que aquela página quer ganhar e o nome do negócio. Cada página com título diferente.
  • Descrição: duas linhas que dão vontade de clicar. Não ranqueia diretamente, mas muda quanta gente clica, e clique conta.
  • Um H1 por página, dizendo do que ela trata. Subtítulos em H2 organizando o resto.
  • Velocidade. Rode o PageSpeed Insights no seu endereço. Se estiver ruim, na quase totalidade dos casos o culpado é imagem grande demais. Reduza pra no máximo 1.600 pixels de largura e salve em WebP.
  • Celular. Mais da metade das visitas vem de telefone. Abra seu site no seu, tente encontrar o botão de contato com uma mão só. Se você travar, seu cliente também trava.
  • Endereços legíveis: /criacao-de-sites/ e não /pagina?id=42.
  • Search Console. Grátis, do Google, é onde você vê quais buscas já trazem gente pro seu site e em que posição. Sem isso você trabalha no escuro.

Escreva pra responder, não pra encher

Conteúdo bom em SEO não é conteúdo longo. É conteúdo que encerra a dúvida da pessoa naquela página, sem obrigar ela a voltar pro Google.

Três coisas que funcionam sempre:

  1. Responder a pergunta no primeiro parágrafo, e depois desenvolver. Ninguém tem paciência pra três parágrafos de introdução até chegar no ponto.
  2. Dar número, prazo e faixa de preço sempre que puder. É o que diferencia texto de quem faz o serviço de texto de quem só escreve sobre ele.
  3. Contar o que deu errado. Experiência real é a coisa mais difícil de copiar, e é justamente o que o Google, e as IAs, valorizam agora pra decidir de quem citar.

“Isso não é coisa de quem tem equipe de marketing?”

Nada do que está aqui exige equipe. Exige alguém que conheça o negócio, e isso é você. A parte mais valiosa dessa lista, descobrir com que palavras seu cliente descreve o problema dele, você faz abrindo suas próprias conversas de WhatsApp. Nenhuma agência tem acesso a isso melhor que você.

“E se meu concorrente for muito maior?”

Aí você não disputa a palavra que ele domina. Empresa grande ganha no termo genérico e perde no específico, porque não tem interesse em escrever sobre o problema miúdo do cliente da sua cidade. É nesse pedaço que negócio pequeno vence, e é justamente onde está quem já decidiu contratar.

Ajuste a expectativa

Não existe SEO em duas semanas. O que dá pra esperar, com trabalho constante:

  • Semanas 1 a 4: site indexado, ficha do Google no ar, aparecendo pra quem busca o nome do seu negócio.
  • Meses 2 a 3: buscas de cauda longa começam a trazer gente. Poucas visitas, mas gente com intenção.
  • Meses 4 a 6: termos mais disputados começam a se mexer, se o conteúdo for de verdade.
  • Depois disso: o trabalho vira manutenção e ampliação.

Quem te promete primeira página em trinta dias numa palavra disputada, ou está falando de anúncio, ou está falando de uma palavra que ninguém busca.

O que eu faria primeiro se tivesse pouco tempo

Na ordem, sem enrolação:

  1. Ficha do Google completa e verificada.
  2. Search Console instalado.
  3. Título e descrição corrigidos em todas as páginas.
  4. As três principais páginas de serviço separadas e reescritas com as palavras que o cliente digita.
  5. Imagens comprimidas.
  6. Cinco avaliações novas na ficha.

Isso é um fim de semana de trabalho e resolve mais do que a maioria dos pacotes mensais baratos entrega em seis meses.

Se você fizer tudo isso e quiser saber o que vem depois, ou se preferir que alguém faça, é exatamente disso que trata a página de posicionamento no Google. Ou me chama no WhatsApp com o endereço do seu site que eu te digo em quais buscas você já aparece hoje e onde está o buraco.

Cada dia que passa é mais um cliente que te procurou e não te achou.

Isso para no dia que você decidir resolver. Pode ser hoje.

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