Se você tem um negócio que atende gente de uma cidade ou região, a ficha do Google é a primeira coisa que eu mexo. Antes do site, antes de anúncio, antes de qualquer outra coisa.
Não é opinião. É onde a busca acontece. “Google meu negócio” sozinho tem 246 mil buscas por mês no Brasil, e a concorrência por esse termo é baixa, o que quer dizer que muita gente procura e pouca gente está estruturada pra aparecer. Some a isso todo mundo que digita “eletricista perto de mim”, “nutricionista em [cidade]”, “melhor dentista aqui perto”. Essas buscas não abrem dez sites. Elas abrem o bloco de mapa com três fichas e a pessoa liga pra uma delas.
Se você não está nesse bloco, você não existe pra essa busca. Simples assim.
O que é a ficha, na prática
É aquele quadro que aparece do lado direito da busca (ou no topo, no celular) com o nome do negócio, nota, foto, telefone, horário e botão de rota. O nome oficial hoje é Perfil da Empresa no Google. O Google aposentou a marca “Google Meu Negócio” e desligou o app separado. A gestão é feita entrando na busca ou no Maps com a conta dona da ficha.
Mudou o nome, não mudou a função: é o cadastro que diz pro Google que seu negócio existe, onde fica, o que faz e a que horas atende.
Passo 1: criar ou reivindicar
Muita gente cria uma ficha do zero sem perceber que já existe uma. O Google gera fichas automaticamente a partir de listas públicas, e é comum um negócio ter uma ficha antiga rodando por aí, com telefone errado, sem dono.
Antes de criar, busque o nome do seu negócio mais a cidade. Se aparecer uma ficha com o botão “É seu este perfil?”, clique ali e reivindique em vez de criar outra. Duas fichas do mesmo negócio brigam entre si e as duas perdem.
Passo 2: verificar
A ficha só entra pra valer depois de verificada. O Google escolhe o método e não dá muito espaço pra discussão: pode ser código por telefone, e-mail, vídeo gravado do ponto ou carta pelo correio.
O vídeo é o mais chato e o mais comum hoje. Você grava mostrando a fachada com o número visível, a região em volta, o interior, e alguma coisa que prove que você opera ali dentro: ferramenta, estoque, equipamento, o computador com o sistema aberto. Grave em pé, com luz, sem cortar. Reprovado, você refaz e perde uma semana.
Enquanto não verifica, considere que a ficha não existe.
Passo 3: categoria, que é a parte que quase todo mundo erra
A categoria principal é o campo mais pesado da ficha inteira. É ele que diz pro Google em quais buscas você é candidato a aparecer.
E quase sempre está errado. Já vi clínica de fisioterapia cadastrada como “clínica médica”, loja de piso cadastrada como “loja de materiais de construção”, nutricionista cadastrada como “consultório médico”. Cada um desses erros tira o negócio de dezenas de buscas específicas onde ele venceria fácil e joga ele numa disputa genérica onde ele perde.
Como acertar: busque o serviço principal do jeito que o seu cliente digita, veja as três fichas que aparecem no mapa e olhe qual categoria elas usam (aparece logo abaixo do nome). Se as três usam a mesma e você usa outra, o problema é seu.
Depois da principal, adicione categorias secundárias, mas só as que você realmente atende. Categoria secundária de serviço que você não presta atrai ligação errada e avaliação ruim.
Passo 4: preencher tudo, sem deixar campo vazio
Ficha completa aparece mais que ficha pela metade. Não é achismo, é o comportamento que dá pra observar em qualquer busca local.
O mínimo que eu preencho em toda ficha:
- Nome exatamente como está na fachada e no site. Sem enfiar palavra-chave no nome. O Google pune e concorrente denuncia.
- Horário, incluindo feriado. Ficha que diz “aberto” quando está fechada rende avaliação de uma estrela.
- Telefone e WhatsApp, o mesmo que aparece no site.
- Site, apontando pra página certa. Se você tem uma página específica do serviço, mande pra ela, não pra home.
- Serviços, um por um, com descrição. Esse campo é subaproveitado e é onde entram os termos que o cliente digita.
- Descrição, 750 caracteres. Escreva pra pessoa, não pra robô: o que você faz, pra quem, em que região.
- Fotos de verdade. Fachada, interior, equipe, trabalho pronto. Foto de banco de imagem o cliente reconhece na hora e desconfia.
“Mas eu não tenho endereço comercial, atendo na casa do cliente”
Isso não te tira do mapa. Na criação da ficha existe a opção de área de atendimento: o endereço fica escondido e você define as cidades ou bairros que atende. Eletricista, encanador, personal, consultor e prestador que vai até o cliente entram assim. O que derruba a ficha é inventar um endereço onde ninguém está, não é a falta de loja.
“Já tentei e o Google não verificou”
Verificação reprovada é o motivo número um de gente desistir no meio. Quase sempre o problema está no vídeo: gravado sentado, sem mostrar o número da fachada, sem nada que prove que você opera ali dentro. Grave em pé, com luz, mostrando a fachada com o número, a rua em volta, o interior e uma ferramenta ou equipamento seu em uso. Reprovou de novo? Dá pra pedir outro método. Não é caso perdido, é caso mal gravado.
Passo 5: avaliação, que é o que decide a disputa
Entre duas fichas parecidas, ganha a que tem mais avaliação recente e respondida. Sempre.
O que funciona:
- Pedir na hora certa, logo depois da entrega, quando a pessoa está satisfeita, não três semanas depois.
- Mandar o link direto de avaliação. A ficha gera um link curto; qualquer atrito a mais e a pessoa desiste.
- Pedir sempre, um pouco. Vinte avaliações espalhadas no ano valem mais que vinte na mesma semana e nada depois.
- Responder todas. Inclusive as ruins, principalmente as ruins. Resposta educada numa crítica converte mais que dez elogios, porque quem lê está avaliando como você reage quando dá problema.
O que não funciona: comprar avaliação. O Google identifica padrão e derruba a ficha inteira. Já vi acontecer.
Passo 6: postagem e atualização
A ficha tem uma área de posts que quase ninguém usa. Não é rede social, e post ali não viraliza. Mas sinal de atividade conta, e um post por semana com novidade, promoção ou dúvida frequente mantém a ficha viva aos olhos do Google e dá conteúdo pra quem cai nela.
Perguntas e respostas também: você mesmo pode publicar as dúvidas que mais recebe e respondê-las. Se você não responder, alguém responde por você, e aí a resposta pode estar errada.
O erro mais caro: tratar ficha como cadastro
A maioria dos negócios preenche a ficha uma vez, no dia que abriu, e nunca mais volta. Aí muda o horário, muda o telefone, entra um serviço novo, e a ficha continua contando a história de dois anos atrás.
Ficha é canal, não cadastro. Ela precisa de manutenção do mesmo jeito que o site precisa.
Como isso conversa com o resto
A ficha não trabalha sozinha. Ela funciona muito melhor quando o site confirma o que ela diz: mesmo nome, mesmo endereço, mesmo telefone, e uma página no site pra cada serviço que está listado nela. O Google cruza essas informações, e divergência gera desconfiança.
É por isso que eu trato Google Meu Negócio, site e Google Ads como uma peça só, não como três serviços soltos. É esse conjunto que eu chamo de posicionamento no Google.
Se você quiser saber onde sua ficha está hoje (categoria, concorrência no mapa, o que falta preencher), me chama no WhatsApp com o nome do negócio e a cidade que eu olho e te falo o que dá pra melhorar.
